
| Ferrari: Um sonho de alumínio |
Em um tempo de renovações tão rápidas na indústria automobilística, chegar aos 11 anos de produção sem grandes alterações é um feito notável para um carro. E foi o que conseguiu o Ferrari 456 GT, lançado no Salão de Paris de 1992, levemente modificado em 1998 (na versão 456 M) e que só agora tem apresentado o sucessor: o 612 Scaglietti, estrela da marca de Maranello no Salão de Detroit, em janeiro. Denominado com um número e um nome, como tem sido habitual na Ferrari, o carro homenageia Sergio Scaglietti, o construtor de carrocerias que criou alguns belos modelos para a marca nas décadas de 50 e 60, como o 375 MM com que o diretor de cinema italiano Roberto Rossellini presenteou a estrela Ingrid Bergman, sua esposa à época. O número 612 é que fica sem explicação, pois o motor não tem 6,0 litros de cilindrada, embora seja um 12-cilindros (em V). O novo cupê de 2+2 lugares é o primeiro Ferrari V12 com carroceria e chassi integralmente de alumínio, produzidos na própria fábrica de Modena por uma unidade dedicada da Scaglietti. Entre as vantagens estão um ganho de 60% em rigidez estrutural e uma redução de 60 kg em relação ao atual 456 GT A, mesmo que o novo carro seja maior: mede 4,90 metros de comprimento, 1,95 m de largura, 1,34 m de altura e 2,95 m de distância entre eixos — aumento de 35 cm. O peso é de 1.840 kg. Ao contrário dos Ferraris mais esportivos, como o F 575 M e o Enzo, o 612 é um cupê de luxo, com ênfase no conforto. Acomoda dois adultos e duas crianças em um interior muito sofisticado, com fácil acesso ao banco traseiro, ar-condicionado com dupla seleção de temperatura e um sistema de áudio Bose, especialmente ajustado em função da acústica do carro. O porta-malas leva 240 litros, 25% mais que em seu antecessor. Alma de F 575 M Assim como o 456 em relação ao F550 Maranello (de 1997), o Scaglietti utiliza o mesmo motor do F575 M. O V12 de 5.748 cm³ e 48 válvulas, todo de alumínio, desenvolve neste caso 540 cv (ganho de 25 cv sobre o 575 M) a 7.250 rpm e torque máximo de 60 m.kgf a 5.250 rpm. Apesar de todo o peso, acelera muito rápido, de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos. A velocidade máxima declarada é de 315 km/h. O câmbio é sempre um manual de seis marchas, podendo vir com comando convencional ou com o sistema automatizado eletroidráulico, com "borboletas" atrás do volante, agora denominado F1A, uma evolução do conhecido F1 lançado em 1998 no F355. A Ferrari garante que as mudanças estão mais rápidas e suaves. O motor dianteiro montado atrás do eixo e o câmbio na traseira, junto do diferencial em um transeixo, garantem distribuição de peso muito boa: 46% à frente, 54% atrás.... DESTAQUES
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